quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A lei da vida

Por razões que não vale a pena aqui enumerar - pois, até ao momento, não há uma vivalma que passe por aqui as pestanas -, a relação entre mim e a minha mãe é praticamente inexistente. Talvez também por isso tenho um laço especial com o meu pai, que se estreitou ainda mais já na fase adulta.
Ontem, pela primeira vez, esqueceu-se do meu aniversário. Falamos sobre isso uns dias antes e eu, naquela altura, suspeitei que isto fosse acontecer. O meu avô tinha uma consulta no mesmo dia e aquilo pareceu-me já demasiada areia para a cabeça dele. Nos últimos tempos, tenho notado que a memória já lhe começa a falhar e sobretudo com as "minhas coisas" acho que a situação piora. Quero acreditar que é porque não lhe dou preocupações e que será essa a razão pela qual ele desvaloriza as minhas histórias. O que quer que seja, dou comigo a pensar que daqui para a frente as coisas não vão ser melhores. E quando assim penso, há uma coisa de que tenho a certeza: não vou estar preparada.

Por outro lado, tive a minha sobrinha de 7 anos a cantar-me os parabéns ao telefone. Fiz um esforço para guardar na memória o som daquela voz de menina, pois sei que vai desaparecer num piscar de olhos.
Parece que é esta a lei da vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A modos que a ficar velha

37. Faço hoje 37 anos. Cada vez que penso neste número, ainda me custa a acreditar. Acho que no fundo, vou sentir-me eternamente uma criança. Agora que estou perto dos 40, não restam dúvidas: o número assusta, impõe respeito, e com ele tão perto, lá vem a pressão do balanço da vida. Ora bem, então vejamos: sim, tenho um emprego estável - não "seguro" -, mas onde já estou há 10 anos... entenda-se que, nem que seja só por isso, já se pode designar "estável".
Estou casada há 2, com vida partilhada há quase 5, e, à medida que o tempo passa, acho que, felizmente, lá vamos ficando mais próximos. Coisa que, em tempos não muito longínquos, já me pareceu estar mais longe de conseguir.

Tenho a minha família relativamente bem e tenho bons amigos. Poucos, mas bons, que é o que interessa. Tenho saúde e dinheiro suficiente para viver uma vida desafogada. Na verdade, não me posso queixar, mas, se pudesse mudar alguma coisa nos próximos 37 anos, gostava de me tornar uma pessoa mais serena e tranquila, mais paciente, mais resignada, menos racional e ansiosa. Dizem que tudo isso vem com a idade. A ver vamos. Até lá, vou ali  agradecer as mensagens do facebook e mandar abaixo um caril de camarão com quiabos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O melhor bife do mundo

Isto é só para não me esquecer que este local é um verdadeiro paraíso e que foi aqui que comi o melhor bife do mundo. Que me perdoem as vacas, que eu até nem aprecio carne vermelha, mas não dá para abrir uma Casa Agrícola de S. Miguel no continente?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ele ainda me surpreende

Descobri que tenho um marido que, apesar de ser quase tão sensível às artes como às pedras da calçada, fica absolutamente estarrecido em frente ao televisor com este programa. É daquelas coisas que não se conseguem explicar, mas que, pelo menos, servem para me descansar o miolo. Sou até capaz de jurar que se nestas alturas me estatelasse em frente a ele só com um hula-hula vestido e a partilhar um vibrador rosa choque com a Angelina Jolie, ele era menino para me mandar ir coser umas meias.
Pelo menos agora percebo aquela mania de andar pela casa a espavonear-se com uns movimentos semelhantes aos de um ganso bêbado, prestes a ser electrocutado.
Resumindo: já lhe desmarquei a consulta. Sempre poupo 80 euros.  

O castanheiro do Sílvio

O Sílvio era um menino risonho, de sorriso aberto que nos visitava aos domingos, no final do almoço, quando nos reuníamos na casa da aldeia. A pergunta era quase sempre a mesma e a resposta também.
- Sílvio, o que comeste?
- Castanhas.
Nós ríamos e dizíamos que não podia comer demais porque senão, um dia, crescia-lhe um castanheiro na barriga. E o Sílvio sorria, numa mistura de dúvida e inocência.

Os anos passaram e o Sílvio já é um adulto. Trabalha com o pai numa oficina à entrada da aldeia e construiu uma casa com um grande portão de ferro. No inverno, às vezes vejo-o à janela a ver a chuva cair e a apreciar a sua pequena vitória. Ao fim da rua, ao virar da esquina, junto à casa do filho do "capitão" e perto da escola primária - hoje abandonada -, é ali mesmo que Ele está, grande e orgulhoso. O Sílvio sorri e recorda a ingenuidade dos tempos de menino. E nós... sorrimos também.

Afinal, foi ali que o Castanheiro do Sílvio escolheu nascer.

2011 - The special one

Nasci no dia 11 do 1 e este é o ano 2011. Gosto de pensar que é um bom presságio. Se pudesse, gostava que fosse decisivo para encontrar a harmonia de que tanto preciso. Tenho sentido forças para lá chegar. Quero muito que assim seja e, devagarinho, começo a sentir que, se calhar, vou ser capaz.
2011 vai ser especial. Que me traga paz interior, saúde, felicidade e, quem sabe, uma nova descoberta. Para mim e para os meus.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cinco anos depois


O T. é uma criança adorável cujo crescimento acompanhei, desde o tempo em que era apenas um embrião, e por quem nutri um amor imenso e muito especial. Na verdade, foi a primeira criança que amei como se fosse do meu sangue. Por imposição da vida, fomos forçados a separar-nos, abruptamente, há cerca de 5 anos atrás, quando ele tinha precisamente 5 anos. Foi uma separação difícil e muito dolorosa, não só porque me foi imposta, mas também porque na última vez que o abracei sabia que seria para sempre.

No primeiro aniversário ainda lhe telefonei, mas a dor de o ouvir tão longe e distante impediu-me de voltar a fazê-lo. Esporadicamente vou tendo notícias, sei que está bem e saudável. Poderia ir vê-lo, mas não fui capaz. Não seria um encontro feliz porque a  separação foi devastadora e um possível reencontro traria sentimentos à flor da pele que não estou preparada para viver. Os anos passaram, mas não o suficiente para apagar uma única grama do que sentia por ele. Apesar disso, o meu único contacto nestes últimos 5 anos foi um postal por altura do Natal com uma pequena lembrança da "tata Sandra". Sei que ainda lhe falam de mim, mas desconhecia a real medida das suas recordações.

Hoje, o pequeno T. enviou-me um postal. Cinco anos depois, as suas pequenas e doces letrinhas dizem-me que "tem saudades minhas e que gosta muito, muito de mim". Agora sei que não me esqueceu. Cinco anos depois, confirmo que ainda não estou preparada para este reencontro.